Descobrindo minha cidade

Por Jardel Maximiliano

Todos os dias somos bombardeados com um volume imenso de informação.  São tantas datas, eventos, comentários, convites, noticias e fofocas que chegamos a ficar perdidos. É tanta coisa que identificar-se como uma pessoa bem informada é comum para muitos de nós. Mas será que toda esta informação consegue achar lugar útil em nossa vida? Qual parte deste volume realmente torna nossa vida mais simples, fácil ou prazerosa?

Como muito eu me considero uma pessoa que está conectada ao mundo. Possuo contas no twitter, facebook, orkut e outras tantas redes sociais. Tenho amigos espalhados por todo o país, conheço através da internet as mais diferentes localidades do mundo e sei dizer exatamente em que local do Rio de Janeiro fica o Bairro de Botafogo. Mas eis que o pessoal do Pá na Pedra chega e me pergunta: “O que você sabe sobre Ribeirão das Neves?” E jogam por terra toda  a minha pose de pessoa bem informada.

Moro aqui desde maio deste ano e sinceramente sei pouco ou quase nada sobre minha cidade. Eu tenho mais informações sobre coisas que acontecem do outro lado do mundo, mas não sei como chegar ao bairro ao lado do meu ou que ônibus pegar para chegar ao Centro de Saúde mais perto. E assim vou descobrindo que aquele volume de informação não esta sendo bem filtrado. Vou dizer por quê.

Acabei descobrindo o Pá na Pedra através de um link no site do pessoal do Coletivo Pegada. Eu estou me envolvendo nas atividades deste coletivo e descobri que existe aqui em minha cidade um coletivo atuante, o Semifusa.  E que estão organizando um evento muito legal e que estava em vias de acontecer. Acessei o site do Pá na Pedra e fiz minha inscrição nas atividades.

Eu poderia culpar o pessoal da organização pela minha desinformação, pela minha ignorância sobre um evento desta magnitude, afinal se eu que sou morador não sei sobre o que esta rolando é o pessoal que não está conseguindo chegar até mim. Mas no caminho dos Eventos fui descobrindo que o maior culpado sou eu.

Espalhados pelos pontos de Ônibus, em outdoor, panfletos e cartazes estava presente a divulgação do evento. O mais espantoso é que são locais que eu sempre passo, paro e fico durante um tempo e não havia percebido este material. E fiquei me perguntando o quanto mais eu perco por não perceber minha cidade. Por não olhar em volta para o que faz parte do meu dia-a-dia. Por não ter um contato mais estreito com a MINHA cidade.

Percebemos sempre com mais facilidade as coisas ruins, e quando surgem iniciativas que mudam a rotina, que mostram uma nova visão sobre a cidade, estamos cegos. E vai muito além disso. Para fazer parte da cidade, para ser um cidadão atuante, para fazer a diferença, é preciso saber sobre sua cidade.  E eu sei quase nada sobre a minha.

Esta ignorância me fez muitas vezes pegar a condução errada, andar por caminhos mais longos, perder oportunidades ótimas. E estou sinceramente envergonhado de não conhecer este local que me acolheu como seu morador. Mas vou correr atrás do tempo perdido. Vou pouco a pouco conhecendo este lugar agradável, cheio de segredos, tradições e costumes que tornam esta cidade única. E aproveito este espaço para pedir minhas sinceras desculpas aos que moram em Ribeirão das Neves junto comigo e passo para vocês a pergunta que me fez acordar:

“O que você sobre Ribeirão das Neves?”

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Publicado em 4 de setembro de 2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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